No livro “O Segredo da Flor de Ouro”, Carl Gustav Jung comenta sobre uma
carta recebida de uma paciente, onde consta essa interessante passagem, digna
de transcrição literal:
“Há pouco tempo recebi a
carta de uma antiga paciente, descrevendo de um modo simples, mas acertado, a
transformação necessária. Diz ela: ‘Do mal, muito me veio de bem. Conservar a calma,
nada reprimir, permanecendo atenta e aceitando a realidade — tomando as coisas como
são, e não como eu queria que fossem — tudo isso me trouxe um saber e poder singulares,
como nunca havia imaginado. Sempre pensara que, ao aceitar as coisas, elas me
dominariam de um modo ou de outro; mas não foi assim, pois só aceitando as coisas
poderemos assumir uma atitude perante elas. (Anulação da participation
mystique!).
Agora jogarei o jogo da
vida, aceitando aquilo que me trazem o dia e a vida, o bem e o mal, o sol e a
sombra, que mudam constantemente. Desta forma, estarei aceitando meu próprio
ser, com seu lado positivo e seu lado negativo. Tudo se tornará mais vivo. Como
fui tola! Eu pretendia forçar todas as coisas, segundo minhas idéias!’


